“Declaração universal dos direitos humanos” ou “dia da consciência feminista”

Declaração universal dos direitos humanos. Artigo I: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”

Sem título (Cílios) | Cris Bierrenbach

Que todo ser humano tenha direito de nascer com dignidade, suporte e amor, caso seja benvindo.

Que todo ser humano, ao ser descoberto o seu sexo, não passe a receber uma série de normativas que o diferencie dos outros seres humanos e paute preferências e comportamentos pré-determinados.

Que seu nome não determine as roupas que lhe serão oferecidas, os brinquedos que lhe serão dispostos, as frases que lhe serão ditas, as práticas que lhe serão ensinadas, nem mesmo as cores que devem ser suas favoritas

Que todo ser humano aprenda que, vez ou outra, é bom falar palavrão, sentar de perna aberta e falar comendo. Que todo mundo solta pum e arrota, faz cocô e xixi. Que todo mundo se masturba e possui uma sexualidade.

Que todo ser humano aprenda também que cuidar da casa, da limpeza, da arrumação, que fazer a própria comida e servir aos outros é importante, necessário e bom.

Que todo ser humano possa correr, se assanhar, suar, dançar, se sujar, ficar sem camisa quando faz calor.

Que todo ser humano possa andar na rua livremente, sem ser invadido por palavras, gestos e olhares hostis. E que possa ser do jeito que quer ser dentro de casa, sem ser reprimido, controlado ou agredido também.

Que todo ser humano possa se maquiar e se enfeitar quando quiser. E que possa também sair de casa de cara lavada e roupa simples, até mesmo se for para um grande evento social. Que possa se vestir do jeito que achar mais confortável ou bonito. E que o bonito não seja pautado pelo setor comercial.

Que qualquer pessoa tenha direito de amar quem quiser, de beijar quem quiser, de transar com quem quiser e de não transar também. Qualquer relação deve ser consentida. Que todos os seres humanos possam construir família ao lado de uma ou mais pessoas de qualquer raça, gênero, religião, nacionalidade, classe social. Mas que, se quiser, ele pode ser também uma família de uma pessoa só. Que qualquer pessoa tenha direito de ser adotada por quem quiser adotá-la, se o fizer com amor.

Que qualquer ser humano se ame ao se ver no espelho, seja ele gordo ou magro, alto ou baixo. Que qualquer corpo seja considerado perfeito. E que seja desejado e admirado do mesmo jeito pelos outros. Que qualquer característica física ou mental que o faça diferente da normativa não seja considerada uma deficiência. Que a falta de algum recheio, alguma curva, algum membro, de mobilidade, que qualquer sentido que tenha alguma limitação, que uma marca ou cicatriz não seja razão para fazer ninguém inferior a ninguém.

Que qualquer ser humano possa usar seu cabelo natural e que isso possa ser considerado lindo em qualquer circunstância. Mas que possa também mudar o cabelo quando quiser, desde que esse desejo venha verdadeiramente de dentro para fora. Que qualquer pessoa possa cortar se cabelo quando bem entender ou deixá-lo crescer até onde se sentir bem. Que ela tenha direito de ser careca também sem que isso seja nada demais.

Que qualquer pessoa possa ser peluda ou despida de pelos, em qualquer parte do seu corpo, sem que isso configure um problema para ninguém e muito menos para si mesma.

Que o corpo de qualquer pessoa seja seu santuário, a fonte da sua vida, em que só ela mesma possa estabelecer seus rituais ou transformá-los. E que todo mundo demonstre respeito ao corpo alheio. Que a carne de ninguém se torne objeto de outrem.

Que qualquer ser humano possa escolher se quer ou não ter filhos. Se quer ou não ser chamado de mulher e/ou homem. Se quer ou não manter os órgãos sexuais com que nasceu.

Que qualquer ser humano possa usar qualquer banheiro público e que as pessoas, ao usarem banheiros públicos, não invadam o espaço do outro que também o está utilizando.

Que qualquer ser humano trabalhe em condições dignas e de igualdade com seus pares de profissão. Que qualquer pessoa tenha a oportunidade de trabalhar com o que escolher livremente fazer e que isso não seja razões para julgamento alheio.

Que qualquer ser humano tenha condições de pagar as próprias contas. Que qualquer pessoa tenha acesso a um bom serviço de saúde, de transporte, de educação, de segurança, de cultura e tecnologia, sendo apenas quem ela é.

Que qualquer pessoa tenha condições de viajar a qualquer lugar que queira, seja só ou acompanhada de quem bem entender.

Que todos tenham suporte de família e amigos. Que todos possam envelhecer com dignidade e que as marcas da idade não inferiorizem ninguém.

Que nada que possa vir a diferenciar qualquer ser humano de outro se torne razão para dividir ou categorizar as pessoas em grupos com diferentes status de poder. Somos um. Intelectualmente, espiritualmente, socialmente, emocionalmente, fisicamente, todos humanos.

Que o dia da mulher nos lembre essas coisas que nos parecem óbvias, mas que todos os dias nos jogam na cara que não são nossa realidade.

Ser mulher não é uma piada. Também não é motivo para colocar ninguém em caixinhas. Ser mulher ainda mata muita gente. Faça a sua parte, tenho certeza de que só ela é que pode e vai mudar o mundo!

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